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IA para advogados: como usar na prática do escritório

Como usar IA na advocacia: o que delegar em cada etapa, como conferir, sigilo e LGPD, o que a OAB recomenda e o termo de uso de IA para o cliente.

IA e ferramentas · 17 min · 06/10/2026

Resposta direta: como usar IA na advocacia

Use a IA para escrever, organizar e resumir, nunca para decidir nem como fonte. Ela rende na primeira versão da peça, na cronologia dos fatos, no resumo de documento e no rascunho de e-mail ao cliente. Ela falha onde o certo é específico: jurisprudência, prazo, valor e a tese do caso. Antes de adotar, faça três coisas: tire do texto o que identifica o cliente, confira toda citação na fonte e formalize ao cliente, por escrito, que você usa IA, como orienta a Recomendação 001/2024 do Conselho Federal da OAB. Quem assina responde pelo que está escrito.

Este é o guia de uso, não o de compra. Se a sua pergunta é qual ferramenta assinar, o caminho é o comparativo de IA para advogados, com critério declarado antes da conclusão. Aqui a pergunta é outra: em que etapa do trabalho a IA entra, o que ela não toca, como conferir o que ela entrega e o que o escritório precisa ter por escrito antes de começar.

Onde a IA entra em cada etapa do trabalho

A régua que vale para todas as linhas: a IA é forte onde o certo é o mais frequente e fraca onde o certo é o específico do seu caso. A tabela separa, por etapa, o uso que economiza tempo, o risco típico e a conferência que não pode faltar.

EtapaUso adequadoRisco típicoComo conferir
Atendimento e triagemTransformar o relato do cliente em cronologia numerada, listar os documentos que faltam e preparar as perguntas da próxima reuniãoColar a conversa inteira com nome, CPF e detalhes que identificam o cliente; inventar data que o relato não temConferir a cronologia com o cliente e contra os documentos; trabalhar com marcadores no lugar dos nomes
PesquisaMapear o tema, sugerir termos de busca, resumir um acórdão que você mesmo colouJulgado que não existe, ementa trocada, tese atribuída a precedente que não a fixouAbrir cada decisão na fonte do tribunal, ler o inteiro teor e conferir se o entendimento continua aplicado
Leitura de documentosResumo de contrato, de decisão ou de laudo; extração de datas, valores e partesOmitir a cláusula que decide o caso, trocar um número, resumir o que o documento não dizConferir todo número e toda data no original; ler por inteiro o trecho em que o caso se decide
Redação de peçaEstrutura, primeira versão, fundamentação repetitiva, varredura de coerência entre fatos e pedidosPedido que é comum na matéria e não cabe no seu caso; artigo de lei com número errado; citação inventadaRevisão por item, na ordem do que gera sanção, depois do que gera emenda, por último o estilo
Contratos e documentos do escritórioPrimeira versão de cláusula específica, revisão de redação, adaptação de modelo ao casoCláusula que muda de uma versão para outra sem aviso; base legal que não existeComparar com o modelo do escritório e abrir o dispositivo citado no texto da lei
Comunicação com o clienteRascunho de e-mail explicando o andamento em linguagem simplesTom de certeza sobre o resultado; atendimento feito só por máquinaReler como se fosse o cliente, tirar qualquer prognóstico e enviar assinado por você
Prazos e cálculosExplicar a regra de contagem, montar a memória de cálculo a partir dos dados que você forneceContar prazo sem ver a intimação; ignorar suspensão e feriado localRefazer a contagem a partir da data dos autos e do calendário do tribunal em que você atua

Duas linhas pedem mais cuidado do que as outras. Em pesquisa, o erro sai da esfera do retrabalho e entra na da sanção, e é o tema de IA para petição, com o roteiro de revisão antes do protocolo. Em prazos, a conta é sua: a calculadora de prazos processuais ajuda a refazer a contagem em dias úteis, mas a data de partida está na sua intimação, e nenhuma IA a vê.

Onde não usar IA, nem com revisão

Há usos que nenhuma revisão conserta, porque o problema não está no texto, está em quem decide. São quatro.

  • Decidir a estratégia do caso. O que pedir, o que deixar de fora, se vale recorrer ou fazer acordo. A Recomendação 001/2024 é direta: o julgamento profissional não é feito por sistema de IA sem supervisão humana, e nenhuma atividade privativa da advocacia é delegada a ele.
  • Responder dúvida jurídica do cliente por chatbot. Assistente virtual de atendimento pode agendar, coletar documento e informar andamento, mas não pode praticar atividade privativa da advocacia, e o interlocutor precisa saber que está falando com uma máquina. As duas regras estão no item 2.4 da recomendação.
  • Servir de fonte. Modelo de linguagem não é repositório de jurisprudência nem de legislação. O que ele afirma sobre um julgado ou um artigo é ponto de partida de pesquisa, nunca a pesquisa.
  • Dar prognóstico. Pedir à IA a chance de êxito e repassar ao cliente é pior que inútil: o número não tem base, e a promessa de resultado é exatamente o que a ética da profissão manda evitar.

Como instruir a IA: instrução ruim e instrução boa

A maior parte do erro de IA na advocacia nasce na instrução. Pedido vago devolve a média do que já foi escrito sobre o assunto, preenchida com o que soa plausível. Pedido delimitado devolve um trecho que você consegue conferir. Compare as duas versões para a mesma tarefa, a impugnação dos fatos numa contestação.

Instrução ruim: "Faça uma contestação para uma ação de cobrança indevida, com jurisprudência do STJ."

O que sai disso: uma peça inteira genérica, com preliminares que talvez não existam no caso, fatos que o modelo supôs e uma lista de julgados que você vai precisar conferir um por um, ou apagar. O pedido de jurisprudência, nessa forma, é um convite a inventar.

Instrução boa: "Você vai rascunhar só a seção de impugnação dos fatos de uma contestação. As partes são [AUTOR] e [RÉU]. Abaixo estão os parágrafos 3 a 7 da inicial e o resumo dos documentos que o réu tem. Para cada fato da inicial, escreva um parágrafo que diga se ele é impugnado, admitido ou admitido com ressalva, e qual documento sustenta a versão do réu. Não cite jurisprudência nem artigo de lei: onde achar que precisa de fonte, escreva [CONFERIR FONTE]. Não invente datas nem valores. Se faltar informação, liste as perguntas no final, em vez de supor."
  • Recorta a tarefa. Uma seção, não a peça inteira. Trecho curto se confere; peça inteira se lê por cima.
  • Entrega o material. O modelo trabalha sobre o texto da inicial e dos documentos, não sobre o que imagina que uma inicial costuma dizer.
  • Tira a função de fonte. Citação vira marcador para você pesquisar, em vez de número para você desconfiar.
  • Anonimiza. Marcadores no lugar dos nomes, que é o mínimo de cuidado com o dado do cliente.
  • Autoriza a dúvida. Mandar listar o que falta reduz a tentação do modelo de preencher a lacuna com invenção.

Para modelos de uso geral, há mais exemplos de instrução e de configuração em ChatGPT jurídico: onde ajuda e onde erra.

Revisão proporcional ao destino do texto

Revisar tudo com a mesma profundidade não é rigor, é desperdício, e quem tenta acaba revisando tudo por cima. O que define a profundidade da revisão é para onde o texto vai.

Destino do textoO que conferirQuem pode conferir
Uso interno (resumo, cronologia, nota de reunião)Datas, valores e nomes contra o documento originalQualquer pessoa da equipe treinada, com a fonte aberta ao lado
Cliente (e-mail, parecer simples, explicação de andamento)Tudo do nível anterior, mais tom, ausência de prognóstico e exatidão do que se afirma sobre o processoO advogado responsável pelo caso, antes de enviar
Processo (peça, petição, manifestação)Tudo do nível anterior, mais cada citação de jurisprudência na fonte, cada artigo no texto vigente da lei, prazo, valor e pedidosO advogado que assina, item por item, sem leitura corrida

O nível do processo tem base legal própria. O art. 77, I, do Código de Processo Civil impõe às partes e aos seus procuradores o dever de expor os fatos em juízo conforme a verdade, o art. 80, II, trata como litigante de má-fé quem altera a verdade dos fatos, e o art. 81 prevê multa superior a um e inferior a dez por cento do valor corrigido da causa. Ao advogado, o § 6º do art. 77 reserva a apuração disciplinar pelo órgão de classe, a quem o juiz oficia. A própria Recomendação 001/2024 remete ao art. 77 quando trata de jurisprudência levantada com IA, e pede revisão integral de toda saída antes de apresentá-la em juízo. Os textos estão em planalto.gov.br, na Lei 13.105/2015.

Delegar a redação não transfere a responsabilidade. O art. 32 do Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) diz que o advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo ou culpa. Não existe a defesa de que o erro foi da ferramenta, assim como não existe a de que foi do estagiário.

Sigilo e LGPD: o que entra na ferramenta

Aqui a prática comum do mercado é indevida, e convém dizer isso com todas as letras: colar a íntegra de um processo, com nomes, CPF, dados de saúde e mensagens do cliente, numa conta pessoal de chat gratuito, sem ler os termos de uso, é um problema de sigilo e de proteção de dados ao mesmo tempo. Três normas se sobrepõem.

  • Sigilo profissional. O Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução 02/2015) impõe, no art. 35, o dever de guardar sigilo dos fatos conhecidos no exercício da profissão, e no art. 36 diz que o sigilo é de ordem pública e que as comunicações entre advogado e cliente se presumem confidenciais. Violar o sigilo sem justa causa é infração disciplinar pelo art. 34, VII, do Estatuto da Advocacia.
  • LGPD. Pela Lei 13.709/2018, o escritório que decide o tratamento é o controlador (art. 5º, VI), e o fornecedor que trata os dados em seu nome atua como operador (art. 5º, VII), seguindo as instruções do controlador (art. 39). O tratamento para o exercício regular de direitos em processo tem base legal no art. 7º, VI, e, para dado sensível, no art. 11, II, d. Mas ter base legal não dispensa os princípios: o da necessidade (art. 6º, III) limita o tratamento ao mínimo necessário, e o art. 46 exige medidas de segurança técnicas e administrativas.
  • Transferência internacional. Boa parte dos modelos roda em servidores fora do país. A transferência internacional de dados pessoais só é permitida nas hipóteses do art. 33 da LGPD, então pergunte ao fornecedor onde os dados são processados e com que salvaguarda contratual.
  • A conta é do escritório, não pessoal, e o fornecedor permite desativar o uso do conteúdo para treinar o modelo. A recomendação da OAB pede exatamente essa diligência na escolha do sistema.
  • A política de privacidade diz com quem os dados são compartilhados e para quê.
  • O texto vai com marcadores no lugar de nome, CPF, endereço e qualquer detalhe que torne o cliente identificável.
  • Dado sensível, como saúde, só entra se for indispensável para a tarefa, e com o mínimo necessário.
  • Documento inteiro só quando a tarefa exige o documento inteiro. Para redigir a impugnação de três fatos, bastam os três fatos.

O que a Recomendação 001/2024 da OAB orienta

A Recomendação 001/2024 foi aprovada pelo Conselho Federal da OAB em novembro de 2024, no julgamento da Proposição 49.0000.2024.007325-9/COP, com texto elaborado pelo Observatório Nacional de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Proteção de Dados. É uma recomendação, não um provimento com sanção própria, mas o texto usa linguagem de dever e foi publicada justamente para orientar a conduta da advocacia. A numeração abaixo é a do texto consolidado no voto do relator; reportagens que circulam com outra numeração tratam do mesmo conteúdo.

EixoO que o texto orientaO que fazer no escritório
Legislação aplicável (item 1)Uso de IA em conformidade com o Estatuto, o Código de Ética, a LGPD, o CPC e a propriedade intelectualTratar a IA como mais um fornecedor que toca dado de cliente, com as mesmas regras
Confidencialidade e privacidade (item 2)Cuidado com dado que torne o cliente identificável, diligência na escolha do fornecedor, possibilidade de não usar os dados para treinamento, chatbot identificado como máquinaEscolher ferramenta com treinamento desativável, anonimizar e ler a política de privacidade
Prática jurídica ética (item 3)Supervisão humana, atenção especial à jurisprudência e ao art. 77 do CPC, revisão integral do que vai a juízo, sem dependência excessiva da ferramentaRevisão por item antes do protocolo e registro de quem revisou
Gestão do escritório (item 3.6)Sócios e gestores estabelecem política sobre uso permitido de IA e cibersegurança, treinam a equipe e monitoram o cumprimentoUma política escrita de uma página e uma rodada de treinamento
Comunicação com o cliente (item 4)Formalizar ao cliente, antes de começar, a intenção de usar IA, em documento escrito e com consentimento assinado; o cliente pode recusar e pode pedir para falar com um humanoUm termo de uso de IA anexo ao contrato de honorários, arquivado até o fim do serviço

O que a recomendação não faz: não proíbe ferramenta nenhuma, não lista ferramenta aprovada e não cria dever de informar ao juízo que a peça teve auxílio de IA. Alguns tribunais tratam do assunto em atos próprios, então vale conferir o regramento de onde você atua.

Termo de uso de IA para o cliente: modelo comentado

Este é o ponto em que a maioria dos escritórios está fora da recomendação sem saber. Uma linha genérica no contrato de honorários, do tipo "o contratado poderá usar ferramentas tecnológicas", não atende ao texto. A recomendação pede documento escrito, em linguagem clara, que explique cinco coisas: o propósito do uso de IA na defesa do cliente, os benefícios e as limitações no caso, os riscos, como a precisão do conteúdo e a exposição de dados, as medidas de segurança e confidencialidade adotadas, e a revisão humana sobre o resultado. E pede o consentimento explícito do cliente, por assinatura, com o documento arquivado até o término do serviço.

CLÁUSULA DE USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. O CONTRATANTE declara ciência de que o CONTRATADO poderá utilizar ferramentas de inteligência artificial generativa como apoio na organização de fatos, na pesquisa e na redação de minutas relacionadas a este contrato, com o propósito de dar mais agilidade ao trabalho. Essas ferramentas podem produzir informações imprecisas, e por isso todo conteúdo gerado será revisado pelo advogado responsável antes de qualquer uso, cabendo a ele, e não à ferramenta, toda decisão técnica sobre o caso. O CONTRATADO adotará as seguintes medidas de proteção: uso de ferramentas que não empregam o conteúdo inserido para treinamento de modelos, substituição de dados de identificação por marcadores sempre que possível e inserção apenas das informações necessárias à tarefa. O CONTRATANTE poderá recusar o uso dessas ferramentas a qualquer tempo, por escrito, caso em que o serviço seguirá por outros meios, e poderá solicitar atendimento por pessoa sempre que desejar.
  • Descreva o uso real. Se a IA entra só na redação, não fale em pesquisa. Promessa de cuidado que você não pratica é pior do que não prometer.
  • Liste as medidas que você de fato adota. Se a ferramenta não permite desativar o treinamento, a cláusula não pode dizer que permite.
  • Colha a assinatura antes de usar. A recomendação fala em formalização prévia, e a formalização vale para qualquer fase em que a IA entre, da pesquisa à peça.
  • Guarde o documento até o fim do serviço. Junto do contrato, na pasta do cliente.

O texto acima é ponto de partida, não cláusula pronta para qualquer caso: a redação final é sua. A estrutura completa do contrato em que ela entra, com modalidades de remuneração e cláusula de êxito, está no guia de contrato de honorários advocatícios.

Veja a supervisão humana funcionando num documento seu

No Lavro a revisão é uma trava, não um lembrete: o assistente propõe trechos a partir do caso, tudo o que a IA escreve fica grifado e pendente até você aprovar, e documento com trecho pendente não vira versão final. A citação sai do registro do acervo do STJ, com número, órgão e data. O cadastro está aberto e o uso segue liberado até a assinatura abrir.

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Como adotar IA no escritório em oito passos

Para escritório de uma a dez pessoas, adoção não é projeto de transformação digital. É um mês de uso controlado, com regra escrita e medição no fim.

1Liste as tarefas que mais tomam tempoEm uma semana normal, anote onde as horas vão: peça do zero, pesquisa, resumo de documento, e-mail ao cliente. Escolha duas tarefas para começar, de preferência de uso interno, em que o erro custa retrabalho e não sanção.
2Escolha a ferramenta pelo critério da tarefaPara redação com citação, o critério que manda é de onde vem a citação e se a fonte abre em um clique. Teste com um caso que você já resolveu, para medir o resultado contra a resposta certa.
3Configure os dados antes do primeiro usoConta do escritório, treinamento com o seu conteúdo desativado quando a ferramenta permitir, política de privacidade lida e guardada. Pergunte onde os dados são processados.
4Escreva a política de uso em uma páginaO que pode entrar na ferramenta, o que não pode, quais tarefas estão liberadas, quem revisa o quê antes de sair do escritório. É o que o item 3.6 da recomendação pede de sócios e gestores.
5Atualize o contrato de honoráriosInclua o termo de uso de IA nos contratos novos e colha a assinatura dos clientes ativos cujos casos vão passar pela ferramenta, antes de usar.
6Treine a equipe com os erros reaisMostre um julgado inventado, uma data trocada num resumo e um pedido que não cabia no caso. Estagiário e assistente precisam ver o erro para saber procurá-lo.
7Registre quem revisouPara peça e comunicação ao cliente, a revisão precisa deixar rastro: quem aprovou e quando. É o que permite ao gestor monitorar o cumprimento da política, outra parte do item 3.6.
8Meça no fim do mêsTempo até a primeira versão útil, tempo de conferência e quantos erros a revisão pegou. Se a conferência consome o tempo que a redação economizou, a ferramenta ou a tarefa está errada.
  • Quais ferramentas estão autorizadas, e em que conta.
  • Que tipo de dado nunca entra: documento de identidade, dado de saúde, segredo de negócio do cliente, a não ser em ferramenta aprovada para isso.
  • Quais tarefas estão liberadas e quais dependem do advogado responsável.
  • Como se marca no texto o que veio da IA até a revisão.
  • Quem revisa cada tipo de saída: uso interno, cliente, processo.
  • Onde fica arquivado o termo de uso de IA de cada cliente.
  • Quando a política é revista. A própria recomendação da OAB prevê revisão periódica do seu texto.

Que tipo de ferramenta para cada tarefa

Não existe uma ferramenta para tudo, e o escritório pequeno costuma acabar com duas: uma de uso geral para texto e uma jurídica para o que envolve fonte. O cluster de guias deste site cobre a escolha em detalhe:

O Lavro está na segunda categoria e é ferramenta de redação, não escritório nem consultoria: não analisa o seu caso e não decide nada por você. O que ele faz é pôr em produto o que este guia descreve. Cada parágrafo mostra a origem, do modelo do escritório, seu ou da IA; o que a IA escreve entra grifado e pendente; a citação é montada a partir do registro de um acervo próprio do STJ, com mais de 56 mil acórdãos e os temas repetitivos, e julgado que a fonte não traz não chega à tela; e a versão final é um retrato imutável, com trilha de quem aprovou o quê. O acervo é só do STJ, então pesquisa de tribunal estadual continua precisando de outra fonte.

Perguntas frequentes

Advogado pode usar inteligência artificial?

Pode. A OAB não proíbe o uso, e a Recomendação 001/2024 do Conselho Federal orienta como fazê-lo: com supervisão humana, sem delegar atividade privativa da advocacia à ferramenta, com cuidado com o sigilo e os dados do cliente, com revisão integral do que vai a juízo e com transparência ao cliente. O que os tribunais vêm punindo não é o uso de IA, é apresentar em juízo informação falsa, com ou sem IA no meio.

Preciso de autorização do cliente para usar IA?

A Recomendação 001/2024 orienta que sim: formalizar ao cliente, antes de começar, a intenção de usar IA, em documento escrito que explique propósito, benefícios e limitações, riscos, medidas de segurança e revisão humana, com consentimento explícito por assinatura. O cliente pode recusar, e então o serviço segue por outros meios. Na prática, um termo anexo ao contrato de honorários resolve, desde que cubra esses cinco pontos.

Posso colocar dados do cliente no ChatGPT?

Só com cuidado que a maioria não toma. Use conta do escritório com o treinamento desativado, leia a política de privacidade, substitua nomes e documentos por marcadores e insira só o necessário para a tarefa, como pede o princípio da necessidade do art. 6º, III, da LGPD. Colar a íntegra do processo numa conta pessoal gratuita é incompatível com o dever de sigilo do art. 35 do Código de Ética da OAB.

A IA substitui o advogado?

Não. A IA escreve rascunho, resume e organiza. A escolha da tese, a conferência de cada fonte, a decisão sobre o pedido e a assinatura continuam com quem tem inscrição na OAB, e a recomendação do Conselho Federal diz que o julgamento profissional não é delegável ao sistema. A dependência excessiva da ferramenta, nas palavras do próprio texto, é inconsistente com a prática da advocacia.

Quem responde se a IA errar numa peça?

Quem assina. O art. 32 do Estatuto da Advocacia responsabiliza o advogado pelos atos praticados com dolo ou culpa no exercício profissional, o art. 77, I, do CPC impõe o dever de expor os fatos conforme a verdade, e alterar a verdade dos fatos é hipótese de litigância de má-fé pelo art. 80, II. Para o advogado, o § 6º do art. 77 remete a apuração ao órgão de classe.

Preciso avisar o juiz que usei IA na peça?

A Recomendação 001/2024 não cria esse dever: a transparência que ela pede é com o cliente. Alguns tribunais tratam do uso de IA em atos próprios, então confira o regramento do tribunal em que você atua. O dever de veracidade do art. 77 do CPC vale em qualquer caso.

O que muda no escritório, e o que não muda

Muda o custo de produzir a primeira versão, de resumir um documento e de explicar um andamento ao cliente. Não muda quem decide, quem confere a fonte e quem assina. O escritório que adota IA bem não é o que usa mais ferramentas, é o que sabe dizer, por escrito, o que entra nelas, quem revisa o que sai e o que o cliente autorizou. Comece por duas tarefas de uso interno, escreva a política de uma página e atualize o contrato de honorários antes do primeiro caso. Depois, escolha a ferramenta com o comparativo de IA para advogados.

Use IA com a revisão embutida no documento

O assistente propõe a peça a partir do caso, grifada e pendente até você aprovar, cada parágrafo mostra a origem e a citação sai do acervo do STJ com número, órgão e data.

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